Data da morte:28/12/1985

Local:Virgem do Socorro, Virgínia

Antônio dos Santos tinha 33 anos e era casado com Maria Rita de Fátima dos Santos, de 29 anos. Eles tinham uma filha de 8 anos e Maria Rita estava grávida quando o patrão de Antônio, o fazendeiro Jorge Inácio Torres foi à residência do casal para assassiná-los. Antônio dos Santos era trabalhador rural e entrou com uma ação na Justiça contra Jorge Inácio Torres por descumprir a legislação trabalhista e ganhou a causa.

No dia 28/12/1985, por volta de 13 horas, Carlito Augusto, genro de Jorge Inácio Torres, procurou Antônio dos Santos em sua casa. Antônio estava trabalhando e na residência estava Maria Rita de Fátima dos Santos e Pureza da Conceição Batista, respectivamente esposa e irmã de Antônio. Antes de ir embora Carlito ameaçou a família de Antônio de morte. No final da tarde, Antônio voltou para casa e logo em seguida chegou seu patrão, Jorge Inácio Torres, que o assassinou junto com sua esposa.

Segundo documentos do auto de prisão em flagrante delito da delegacia de Itanhandu, do dia posterior ao duplo homicídio, Jorge Inácio Torres confessou os assassinatos alegando que após perder a ação trabalhista procurou Antônio para fazer novo acordo e como obteve resposta negativa “perdeu o controle” e sacou uma arma de fogo que trazia na cintura, dando um tiro na perna e uma facada na altura das costelas do lado esquerdo de Antônio. O fazendeiro relatou que Antônio e Maria Rita tentaram fugir, indo juntos até uma pinguela, quando Antônio correu para um lado e Maria Rita para o outro. Jorge perseguiu primeiro Antônio que caiu morto no chão e depois foi atrás de Maria Rita, que se abrigou na casa de sua prima, Dona Marieta. Maria Rita foi pedir ajuda e avisou Maria Ribeiro da Silva (Dona Marieta) que o marido estava ensanguentado. Elas estavam do lado de fora da casa, quando chegou o fazendeiro e atirou em Maria Rita. Ela entrou dentro da casa e ele a perseguiu, atirando mais uma vez e matando-a. “Jorge Inácio Torres saiu tranquilamente da casa, sem dizer uma palavra.”

Os exames de corpo delito constataram que Antônio dos Santos foi assassinado com dois tiros e duas facadas e Maria Rita de Fátima dos Santos com dois tiros.

Imediatamente após o duplo homicídio, Jorge Inácio Torres também tentou matar com tiros o seu vizinho de propriedade, Manoel Araújo Guimarães, pois acreditava que havia instruído Antônio dos Santos a processá-lo na Justiça. Manoel ficou gravemente ferido, mas sobreviveu.

Não foi possível saber se Jorge Inácio Torres respondeu a processo judicial pelos assassinatos. A última notícia encontrada foi veiculada no jornal Pelejando, de janeiro de 1986, que informou: “o fazendeiro encontra-se preso, mas políticos pressionam pela soltura do perigoso assassino.”

No livro “Camponeses mortos e desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição”, as mortes constam como ocorridas em janeiro de 1986 e o nome da vítima como Maria Rita dos Santos, esses equívocos também aparecem nas publicações “Relatório final: Violações de Direitos no campo 1946 a 1988”, “1986. Conflitos de Terra no Brasil”, “Conflitos de Terra, Vol II”, elaborado pelo Mirad/INCRA e na revista “Fetaemg 30 Anos de Luta: 1968-1998”.

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