Data da morte:02/01/1982

Local:Fazenda Alexandrenópolis, Água Boa

As informações apresentadas constam no relatório do delegado de polícia de Belo Horizonte, Ruy Eustaquio Alves Resende, enviado para o juiz da comarca de Capelinha. Segundo o documento, Carlos Zomar era empregado da fazenda Alexandrenópolis, propriedade de José Bernadino Pereira, conhecido como Juquita. O fazendeiro e dois capatazes assassinaram Zomar no dia 02/01/1982, esconderam seu corpo e simularam que ele estivesse vivo. No mesmo dia, João da Conceição Meira que também era empregado de Juquita, encontrou-se com Zomar nas imediações da fazenda e o levou até a presença do fazendeiro e do capataz Julio de Jesus Oliveira. Zomar foi submetido a violentos maus-tratos, sem poder reagir, uma vez que o proprietário e o capataz estavam de armas em punho e, em seguida, dispararam contra ele. Após a morte de Zomar, o fazendeiro ordenou que outro empregado, Vasco Pereira de Jesus, colocasse o corpo de Zomar no interior de um balaio, sobre o lombo de um animal, usando como contrapeso algumas pedras e o transportasse para local conhecido como Manga do Meio, situado na mesma fazenda.

Na manhã seguinte, o fazendeiro conversou com seus irmãos José Nonato Pereira, José Paulo Pereira e José Maria Pereira, eles acordaram que enterrariam o corpo e para ocultar o crime, José Nonato enviaria um telegrama para a família da vítima, simulando ser Carlos Zomar, dizendo que estava viajando e voltaria brevemente. Diante do ajuste, o capataz Julio de Jesus Oliveira sepultou o corpo e somente no dia 16 de janeiro, José Nonato enviou o telegrama aos familiares de Carlos que moravam em Guanhães. Estes desconfiaram do telegrama, tentaram com que a delegacia de Água Boa investigasse o caso e não obtendo resposta procuraram Ruy Eustaquio Alves Resende, na delegacia de Belo Horizonte, que esclareceu o assassinato. Devido à crueldade do assassinato, a população local ficou revoltada e temendo a integridade física dos mesmos e também à fuga para outro estado, o delegado fez um pedido para que os assassinos fossem presos no DOPS de Belo Horizonte.

Na análise do crime foram realizados auto de exumação e reconhecimento, auto de corpo de delito preliminar e auto de necropsia de nº 535, que não conseguiu localizar os projéteis devido à precariedade do local de sepultamento e o tempo decorrido. Porém, foi apreendido o revólver do fazendeiro Juquita emprestado para o capataz Julio, usado para matar a vítima. O revólver utilizado pelo fazendeiro já havia sido vendido.

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