Data da morte:1967

Local:Varzelândia

O nome de Dulce Gonçalves Pereira, a data e o local de seu assassinato constam da dissertação de mestrado intitulada “À procura da terra perdida – Para uma reconstituição do conflito de Cachoeirinha.”( SANTOS, 1985). A pesquisa da Covemg identificou que Dulce Gonçalves Pereira, provavelmente, é a mesma pessoa que Dúlcia Gonçalves de Araújo, a segunda esposa de Saluzinho, que teria morrido em decorrência das violações a que foi submetida, com suspeita de participação direta de agentes do Estado, conforme detalhado na descrição do caso “Saluzinho: o mito da resistência”, neste Capítulo. A confusão dos nomes é apontada por Leonardo Campos, no livro “Saluzinho: luta e martírio de um bravo” (CAMPOS, 2014, p.73).

A Covemg suspeita que a morte de Dúlcia possa ter relação com o segundo despejo realizado em Cachoeirinha, ocorrido em 1967, mas também com as torturas que os policiais que perseguiram Saluzinho a submeteram, o que ocorreu na mesma época. A falta de documentos e outros relatos que possam comprovar a ligação entre a tortura e morte exigem que duas novas linhas de investigação sejam contempladas: a primeira delas deve verificar se Dúlcia morreu durante a expulsão dos posseiros no distrito Cachoeirinha (em Varzelândia). Neste caso, possivelmente o mandante do crime teria sido o coronel Georgino Jorge de Souza, que atuou no processo de expulsão dos posseiros e exerceu influência em Cachoeirinha como coronel reformado, adquirindo terras e sendo responsável por diversas violências e ameaças, conforme já relatado. Várias publicações que abordam o conflito de Cachoeirinha mencionam o coronel Georgino Jorge como o mandante dos assassinatos de posseiros ocorridos na região. No entanto, não se descarta a hipótese de fazendeiros como, Manoelito Maciel de Salles e Sebastião Alves da Silva, também terem envolvimento com os crimes.

A outra linha de investigação deve verificar se Dúlcia, na verdade, morreu em decorrência das torturas sofridas na região de Varzelândia onde vivia (chamada Serra Azul) e, portanto, por ação dos policiais que estavam em busca de Saluzinho. A Covemg não conseguiu avançar nessas linhas investigativas, mas recomenda o prosseguimento das pesquisas sobre este caso.

Para informações sobre o contexto, sugere-se a leitura co capítulo Cachoeirinha e Saluzinho: um mito da resistência, no Relatório Final da Covemg, volume 2.

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