Data da morte:02/02/1986

Local:São Domingos do Prata

Em 02/02/1986, Divino João de Deus (37 anos, lavrador), sua mãe, Maria da Cruz Vieira (64 anos, lavradora, viúva), e seu cunhado João Leite (44 anos, metalúrgico) foram assassinados pelo fazendeiro Geraldo Magela de Faria. Consta em documento elaborado pela coordenadoria de conflitos agrários do Mirad/INCRA que:

"o delegado regional de Monlevade, Jairo Lelis Filho, está procurando o pai-de-santo que induziu o pequeno proprietário rural Geraldo Magela de Faria a matar três pessoas a golpes de foice e esmagar as cabeças em um pilão, porque elas planejavam entrar com uma ação na justiça de Alfie, distrito de São Domingos do Prata, para reivindicar parte da propriedade dele."

Geraldo de Faria, 48 anos, também conhecido como Geraldo Maximiniano, foi à casa de seus vizinhos com uma foice e uma “mão” de pilão. Com a foice matou primeiro Maria da Cruz e, em seguida, seu filho, Divino João de Deus, esquartejando seus corpos. Depois massacrou seus crânios com a “mão” de pilão. Andou cerca de dois quilômetros onde estava hospedado João Leite e o matou da mesma maneira. Fátima Maria Vieira Rocha, irmã de Divino João de Deus, presenciou as mortes e descreveu-as ao delegado.

Após a chacina, Geraldo fugiu e se escondeu numa mata fechada próxima ao local do crime. Cerca de 30 policiais, civis e militares, procuraram o assassino e a população de Alfie se revoltou com o crime. Os corpos das vítimas foram enterrados em Timóteo e foram acompanhados de um cortejo fúnebre que saiu de João Monlevade. A última reportagem encontrada sobre o crime registrou que após dois dias Geraldo Magela não tinha ainda sido encontrado pela polícia.

Além da publicação do Mirad/INCRA, os nomes dessas vítimas constam também nas publicações, “Camponeses mortos e desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição” “Relatório final: Violações de Direitos no campo 1946 a 1988” e “1986: Conflitos de Terra no Brasil”

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