Data de desaparecimento:1977, corpo encontrado em 10/06/1988

Local:Fazenda Cipó – Fortuna de Minas

As informações sobre o desaparecimento de José Graciano da Silva foram publicadas em reportagem do jornal Estado de Minas de 03/06/1988.

"Onze anos depois, a polícia de Fortuna de Minas esclareceu o assassinato do lavrador José Graciano da Silva, cuja ossada foi encontrada há uma semana numa grota próxima da fazenda Cipó, onde o crime foi cometido. O delegado Sebastião Alves Jesus, há dois anos à frente da delegacia local, reabriu o inquérito e, após várias diligências, indiciou o capataz Geraldo da Silva, o ‘Ti Mário’, pela autoria do homicídio. O juiz Éber Carvalho de Melo decretou a prisão preventiva do capataz que já está preso na cadeia pública de Fortuna de Minas."

Em 1977, a família do lavrador comunicou à polícia o desaparecimento de José Graciano. Apesar da abertura do inquérito, os policiais encarregados de apurar o caso não localizaram informações que pudessem solucioná-lo. Durante vários anos acreditava-se que José Graciano havia viajado para outro estado sem avisar aos parentes. Porém, alguns boatos surgiram na cidade, apontando Geraldo da Silva como o provável matador do lavrador. Interrogado, ele negou qualquer participação no suposto crime.

Ao assumir a delegacia de Fortuna de Minas, o delegado Sebastião Alves de Jesus retomou as investigações, escalando o detetive Ronald Geraldo Barbosa para apurar o caso. O policial conseguiu avançar nas investigações e descobriu a ocorrência de um sério atrito entre José Graciano e Geraldo da Silva. Novamente interrogado, Geraldo confessou o homicídio e levou a polícia até o local onde escondeu o corpo.

Apesar do assassinato de José Graciano da Silva não estar diretamente relacionado a um conflito agrário ou envolver um agente público, é um caso que mostra como camponeses eram considerados “desaparecidos” e, por vezes, tinham sido assassinados por agentes privados que não eram devidamente investigados pelos órgãos públicos e, neste caso, o esclarecimento do assassinato só foi possível com a troca do delegado local, no período de abertura democrática. Não foi possível identificar quais foram as penas impostas a Geraldo da Silva e nem os motivos que causaram o atrito entre a vítima e o assassino.

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