Data da morte:28/05/1986

Local:Estrada que ligava Santana da Prata à região de “Pinduquinha”, próximo ao município de Conceição do Pará

Luiz Jesus Campos nasceu em 16/11/1946, era filho de João Viega Campos e Geralda Patrício e foi casado com Maria José Mota. Luiz Jesus era lavrador no município de Conceição do Pará e tinha 39 anos quando foi assassinado pela família de seu primo Otávio Faria Patrício, no dia 28/05/1986.

Luiz Jesus Campos e Otávio Faria Patrício moravam em terras vizinhas que foram de seus falecidos avós. Essas terras localizavam-se na estrada que ligava Santana da Prata à região de “Pinduquinha”, próximo ao município de Conceição do Pará. Os primos tinham relacionamento conflituoso por causa da divisa entre suas terras e não se falavam, pois Otávio queria demarcar e providenciar uma cerca divisória e Luiz não concordava, uma vez que Otávio não possuía a documentação legal. O crime aconteceu no momento em que Otávio estava construindo uma cerca de demarcação de terras, acompanhado de seus três irmãos (Antônio Iolando Faria, Vicente de Paula Patrício e João Patrício Filho) e dos primos (Geraldo Fernandes e Antônio Fernandes Viegas). Geraldo e Antônio Fernandes não sabiam que a cerca estava sendo levantada sem o consentimento de Luiz Jesus e foram até o local a pedido do tio, João Mariano Patrício, pai de Otávio.

No horário do almoço, João Mariano Patrício foi até o local onde a cerca estava sendo construída para levar marmita para os filhos. Segundo informações da investigação policial, Luiz Jesus apareceu no local em seguida, enquanto levava ração para o gado. Ele estava de bicicleta quando viu a família de Otávio construindo a cerca e tentou argumentar que eles não estavam agindo de forma correta e exigiu os documentos que provassem a legalidade daquele ato. Houve discussão e Luiz Jesus pegou uma das foices da família de Otávio, que estes utilizavam para construir a cerca, e caminhou em direção a Otávio. Nesse ínterim, João Mariano e Vicente (pai e irmão de Otávio) imobilizaram Luiz Jesus enquanto Otávio atirou três vezes à queima roupa. Segundo o laudo de necrópsia, destes três tiros, dois acertaram Luiz, um no tórax e outro no joelho.

Apesar de João Mariano Patrício e Vicente de Paula Patrício terem participado do crime, imobilizando Luiz de Jesus, somente Otávio Faria Patrício respondeu a inquérito policial. O processo demorou mais de seis anos e Otávio Faria Patrício foi condenado por homicídio culposo em 27/08/1991. A pena foi de um ano em regime aberto, sem a necessidade de apresentar-se trimestralmente ao juízo.

O nome de Luiz Jesus Campos é citado na relação de trabalhadores rurais vítimas da violência no campo em 1986 na Revista “Fetaemg 30 Anos de Luta: 1968- 1998” e também na publicação do Mirad/INCRA “Conflitos de Terra, Vol II, 1986”

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