Data da morte:22/08//1988

Local:Fazenda da Cachoeira, município de Tombos

Melchíades de Souza, 68 anos, trabalhador rural aposentado, filho de Joaquim Antonio de Souza e Jesuína Cândida de Jesus, natural de Providência (MG) e morador de Tombos, morreu na porta de casa na noite do dia 22/08/1988. Ele residia na Fazenda da Cachoeira, no município de Tombos, e, conforme nota do STR, morreu após ser agredido com crueldade, provocando clima de revolta na população.

Segundo relato de Maria da Cruz Kaizer, sobrinha de Melchíades, à Covemg, o tio trabalhava e vivia há bastante tempo na Fazenda da Cachoeira, de propriedade dos irmãos Emílio e Rubens Gouvea, e sua morte foi “encomendada”. “O chamaram na porta de casa à noite, em agosto de 1988, dizendo que tinham um recado da família. Quando ele saiu, espancaram ele com pauladas e largaram o corpo lá.” A esposa de Melchíades, Zulmira Melo de Souza, vivia em Itaperuna (RJ) com os filhos.

Ainda conforme a sobrinha, o suspeito de ter sido o mandante do crime era o administrador da fazenda, conhecido como Norberto.

"Ele contratou um moço que veio à cidade só para matar meu tio. Depois de tudo o que fizeram, esse administrador sentou no bar do meu marido, tomou cerveja, meu marido tinha bar e lanchonete no Centro da cidade, colocou o moço num ônibus e mandou ele embora de Tombos. O rapaz sumiu. Dizem que ele recebeu dois mil cruzados para fazer o serviço. Enquanto meu tio agonizava na porta de casa, esse administrador estava no bar da minha família. Ele foi morto por volta das 21h, mas só lá para as 23h, que ele foi chamar ajuda e disse no bar o que tinha acontecido. Ele estava esperando ele [Melchíades] terminar de morrer."

Maria da Cruz Kaizer diz não saber os motivos que levaram ao crime nem se o administrador da fazenda teria agido a mando de outras pessoas.

"O que sei é que aqui tinha um detetive de polícia muito bom que encontrou o rapaz, que confessou ter recebido os dois mil [cruzados] para matar. Ele ficou preso por cinco anos. Mas o Norberto não acharam, pois foi levado embora de Tombos escondido num carro de um dos donos da fazenda"

No atestado de óbito de Melchíades consta que ele morreu em decorrência de traumatismo craniano encefálico, o que seria condizente com as agressões a pauladas. A sobrinha da vítima diz não ter conhecimento se o tio teria vínculo com partido político, sindicato, CPT ou outra organização camponesa. Segundo o então presidente do STR de Tombos, Vanderli Pereira Pinheiro, “essa morte é um mistério”, pois o caso não passou pelo sindicato e foi conduzido por um advogado da família. “Quando a gente descobriu a morte, achou que nem tinha relação com trabalho. Achou que não era. Achou que era uma coisa pessoal, mas, depois, com o tema da história, a gente viu que tinha a ver.”

A Covemg não conseguiu mais informações sobre a motivação do crime. Suspeita- se que poderia ter relação com questões trabalhistas, mas outras pesquisas precisam ser desenvolvidas e o acesso ao processo de Melchíades, solicitado sem sucesso ao Fórum da Comarca de Tombos, é indispensável para avançar na investigação.

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