Data da morte:09/05/1985

Local:Porteirinha

Em 1983, o lavrador Minalvo Pereira da Silva comprou de Aureliano Rodrigues 60 hectares de terra da fazenda Coco de Gravatá, no município de Porteirinha. Alegando não ter recebido pagamento, Rodrigues revendeu a mesma área ao ex-delegado de Polícia Civil e advogado de grileiros da Jaíba, Asdrúbal Geovani Vital. Um ano depois, em 1984, Asdrúbal tentou invadir as terras de Minalvo, quando este se ausentou para ir a Belo Horizonte. Asdrúbal expulsou a família de Minalvo, porém, quando o camponês retornou de viagem, voltou para a posse junto com a mulher e os filhos.

No início de 1985 houve apuração policial que constatou que Minalvo pagou Aureliano pelo terreno, porém Minalvo continuava recebendo ameaças do ex-delegado e de Sinderley Ernandes Mendes, político no município de Janaúba que havia concorrido às últimas eleições para ocupar o cargo de vice-prefeito.

Minalvo Pereira da Silva tinha 62 anos, era casado e pai de 11 filhos. Ele empregou Durvalino Soares dos Santos, que se encontrava numa situação difícil, por não conseguir trabalho. Durvalino também era casado, tinha 50 anos e era pai de 10 filhos. No dia do assassinato, Minalvo estava preparando a terra para plantar alho quando Asdrúbal Vital chegou acompanhado de Sinderley Ernandes Mendes e de Alex Fernandes (jagunço e cunhado de Asdrúbal). O ex-delegado ficou conversando na sede da fazenda enquanto Sinderley e Alex foram até a horta e mataram Minalvo e Durvalino. Dois filhos de Minalvo, que também estavam trabalhando no local, conseguiram escapar e comunicaram a polícia de Janaúba

Minalvo foi sepultado perto de Porteirinha, no dia 10 de maio, em cerimônia que reuniu lideranças sindicais do Norte de Minas. Durvalino foi sepultado em Belo Horizonte, no dia 11 de maio, reunindo 90 lideranças rurais que protestaram contra a violência no campo e exigiam a punição dos culpados. Havia faixas de protesto e uma delas estampava a frase: “democracia com reforma agrária”.

Em meio ao aumento dos assassinatos de camponeses, em 1986 houve uma CPI na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para investigar as razões de algumas mortes no campo e consta os nomes de Durvalino Soares dos Santos e Minalvo Pereira da Silva. Os nomes desses lavradores são citados também nas seguintes publicações: “Camponeses Mortos e Desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição”, “Relatório final: Violações de Direitos no campo 1946 a 1988”, “Retrato da Repressão Política no Campo – Brasil 1962-1985: Camponeses torturados, mortos e desaparecidos”, “Conflitos de terra no Brasil, 1985”, “Assassinatos no campo crime e impunidade 1964-1986” e “Fetaemg 30 anos de luta 1968 a 1998”.

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