Data de desaparecimento:Entre 1964 e 1967

Local:Varzelândia

Nilo Gomes Teles era baiano e desapareceu no período dos despejos de Cachoeirinha. Segundo depoimento prestado em julho de 1984 a Sônia Nicolau dos Santos, Jesuína Soares de Moura, conhecida como Dona Zuína, posseira residente em Cachoeirinha à época, afirmou:

"Sumiu também um companheiro meu [Nilo Gomes Teles] [...] esse companheiro meu eles andou com ele aqui dentro desse comércio piado, amarrado dentro do carro de um dia prá outro e soltou ele aqui amarrado e esse homem desapareceu que até o dia de hoje ninguém dá notícia. Não se sabe se eles matou, jogou n’água ou se enterrou pro mato ou o que fizeram com ele."

Ao narrar sobre esse caso, Dona Zuína contava sobre a violência empreendida pelo coronel Georgino Jorge e seus jagunços na região e acredita que o desaparecimento tenha ocorrido a mando do coronel.

"Porque o Georgino prometeu que ele ia sumir gente aqui dentro de uma tal maneira, que os companheiros não haveria de achar nem osso comido pelos urubu prá levar pro sepulcro. E isso ele me disse foi a mim o dia que ele me ameaçou..."

Contudo, essa foi a única referência encontrada pela pesquisa sobre o desaparecimento de Nilo Gomes Teles. Possivelmente o mandante do crime foi o coronel Georgino Jorge de Souza, que atuou no processo de expulsão dos posseiros e exerceu influência em Cachoeirinha como coronel reformado, adquirindo terras e sendo responsável por diversas violências e ameaças, conforme relatado na seção anterior. Várias publicações que abordam o conflito de Cachoeirinha mencionam o coronel Georgino Jorge como o mandante dos assassinatos de posseiros ocorridos na região. No entanto, não se descarta a hipótese de fazendeiros como, Manoelito Maciel de Salles e Sebastião Alves da Silva, também terem envolvimento com os crimes.

Para informações sobre o contexto, sugere-se a leitura co capítulo Cachoeirinha, no Relatório Final da Covemg, volume 2.

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