Data da morte:Primeira semana de abril de 1964

Local: Três Marias

Logo após o golpe militar, tropas do Exército e policiais militares de Minas Gerais ocuparam a ponte em Três Marias, na BR-040, fazendo barricadas e revistando os transeuntes. Em documento do DOPS/MG de 27/08/1964 há o relato Joaquim Viana de Oliveira, cabo da Polícia de Diamantina, que permaneceu nesta região, com um pelotão destacado do “dia da revolução”, durante uma semana. Segundo ele:

"Foi nessa oportunidade que, em diligência da qual fazia parte o Auxiliar de Delegado João Siqueira, seu compadre, que encontraram o cadáver de ‘Geraldo Preto’ debaixo da ponte que cruza o Rio S. Francisco, abaixo da represa; esse indivíduo havia sido assassinado pouco antes e o responsável pelo crime ainda se achava no local, sendo preso."

A referida ponte se localizava próxima à sede do Sindicato Rural de Três Marias. Nas terras abaixo da ponte, margeadas pelo Rio São Francisco, iniciava a área dos camponeses. Pela proximidade da ponte à região ocupada, a pesquisa tentou levantar se entre os camponeses havia algum Geraldo que poderia ser Geraldo “Preto”. No extrato dos Estatutos da Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Três Marias de 18/08/1961 foi encontrada a assinatura de Geraldo Francisco da Cruz como um dos associados. Já em carta sem data enviada pelos camponeses de Três Marias aos deputados federais e senadores consta a assinatura de Geraldo Martins [sobrenome incompreensível] e Geraldo Mendes da Silva. Porém, não foi possível verificar se algum deles seria Geraldo “Preto”

Foi João Siqueira, auxiliar de delegado, que em 1º/05/1964, como testemunha no Inquérito Policial Militar instaurado contra Randolfo Fernandes Lima e Raimundo Nonato Pereira, afirmou que Geraldo “Preto” era camponês colaborador do Sindicato Rural. A morte de Geraldo pode ter sido um dos motivos da evasão dos camponeses das terras após o golpe militar, além do medo de serem presos como ocorreu com seus líderes, Randolfo e Raimundo.

Para maiores informações do contexto, sugere-se a leitura do capítulo Três Marias do Relatório Final da Covemg, volume 2.

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